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O Direito ao Palavrão

Publicado em 15 de junho, 2006 | Categoria: Internet


Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos

extremamente válidos e criativos para prover nosso

vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade

nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

 

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será

esse Português Vulgar que vingará plenamente um

dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma,

mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das

ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu

jeito,sua índole.

 

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a

idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho”

tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-

Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho,

o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra

caralho, entende?

 

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais

absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e

não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma

credibilidade “Não, absolutamente não! “o substituem. O “Nem

fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com

a consciência tranqüila, para outras atividades de maior

interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te

atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca

tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos,

presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente

se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a

turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do

Lupicínio.

 

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as

situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma

negação, mas também o justo escárnio contra descarados

blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que

possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como

comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD

porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho

porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos

provê sensações de incrível bem estar interior. É como se

estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um

canalha. São dessa mesma gênese os clássicos

“aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente,

o “prepone” - presidente de porra nenhuma. Há outros

palavrões igualmente clássicos.

 

Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu

correlato “Puta-que-o- pariu!”, falados assim,

cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia

irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te

coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido

tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe

permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

 

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cú!”? E sua

maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu

cú!”.Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos

seus quando,passado o limite do suportável, se dirige ao

canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no

olho do seu cú!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida,

sua auto-estima.Desabotoa a camisa e saia à rua, vento

batendo na face,olhar firme,cabeça erguida, um delicioso

sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

 

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão

de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E

sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você

conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma

situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora

complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida

insere seu autor em todo um providencial contexto interior de

alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está

dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de

habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você

mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”. Sem

contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente

proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe

algo mais libertário do que o conceito do “foda- se!”?

O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa

melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair

comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda

sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!”

deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade,

igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo…

 

Pois se a lingua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o

Prof. Pasquale explicaria melhor. “Nem fodendo…”

 

Autor: Pedro Ivo Resende

 


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5 Esclarecimento no artigo “O Direito ao Palavrão”

  1. Helane Carine disse:

    Olá, Xavier. Como vai?
    Espero que você não se aborreça com minha intromissão. MAs achjo que você está equivocado quanto a autoria do texto ” O direito ao palavrão”. Este texto é do Pedro Ivo Resende, e não do Luis Fernando Verissimo.

    Seria legal consertar os créditos do texto.

    Abraços.

  2. Vitor disse:

    Concordo com a Helane. Aliás, nem este texto e nem os demais 50 textos que circulam por e-mail atribuídos ao LFV são dele. Nunca se engane: recebeu um texto do Verissimo por e-mail, pode apostar que é falso!

  3. xavier disse:

    Obrigado Helane e Vitor pelo toque, da próxima vez eu faço uma pesquisa antes de publicar!!!!

  4. Vitor disse:

    Obrigado pela correção. Mas uma sugestão: jamais use o Google como referência de autenticidade de autoria. O Google dá muito blog como resultado de pesquisa, e nos blogs é que se concentram os textos com autoria errada. Quer fazer um teste? Procure o autor de “A Pessoa Errada”, “Quase” e “Um Dia de Merda”. Provavelmente o LFV vai aparecer como autor destes 3 textos, mas nenhum deles foi escrito por ele…

  5. xavier disse:

    Obrigado mais uma vez pela dica Vitor!!!

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